John Deere

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A força do campo

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quebra de Safra no MS

Quebra de safra frustra produtores de soja em MS

Cargas chegam a ter até 28% dos grãos ardidos. Índice muito acima do limite tolerado para não haver descontos ao produtor, que é de 8%

 Grão danificado pelas chuvas deve complicar pagamento de dívidas de agricultores


A expectativa de colher uma safra recorde de soja em Mato Grosso do Sul já não existe mais. Se antes a previsão era produzir mais de 5,5 milhões de toneladas, por conta das chuvas os agricultores devem retirar no máximo quatro milhões de toneladas do campo. Os reflexos desta quebra já começam a aparecer. Os caminhões que fazem carregamento em São Gabriel do Oeste (MS), que deveriam puxar 20 mil sacas do grão durante o pico da colheita, devem trazer a metade.
– Estou vendo que carrego o mesmo tanto no caminhão, só que o peso fica dois mil quilos abaixo. O grão está muito danificado, está feio – lamenta o motorista Fernando Rodrigues Nascimento.
Volumes maiores ou semelhantes com pesos menores. A explicação para isso é a falta de qualidade da soja que é retirada da lavoura. São grãos danificados, com umidade elevada e baixo padrão, características que não atendem às exigências mínimas estabelecidas pelos armazéns que recebem a produção.
Na classificação, é possível ter uma idéia de como a qualidade dos grãos foi comprometida. Cargas chegam a ter até 28% dos grãos ardidos. Índice muito acima do limite tolerado para não haver descontos ao produtor, que é de 8%.
O problema é que receber cargas com uma quantidade tão elevada de soja ardida se tornou comum nos últimos dias. Poucos estão aceitando o grão com umidade elevada. Até caminhões com mais de 80% dos grãos prejudicados desembarcaram.
– Nós ainda estamos recebendo estes grãos, tantos os bons quanto os ruins. Vamos colaborar com os produtores, mas temos que ver lá na frente o que vamos fazer com este produto – diz Luciano Souza Nunes, gerente de armazém.
Se a situação das armazenadoras é delicada, a dos produtores dispensa comentários. O produtor rural Sebastião Cruciol Filho entregou quase 17 toneladas para uma empresa. Menos de 4% da carga passou na classificação.
– Entreguei mais de 16 mil quilos na semana passada e tive muito desconto por grãos úmidos e ardidos. Me sobrou só 500 quilos, não pagou nem o frete do caminhão – conta o produtor.
DívidasMas a preocupação do agricultor vai além destes descontos. Sebastião conseguiu colher apenas 15% da área de 980 hectares antes das chuvas. Do terreno que ainda falta colher, 300 hectares já estão completamente perdidos. Os outros 520 também estão prejudicados, mas devem ser colhidos mesmo assim. Com a quebra e a baixa qualidade do produto, dificilmente o agricultor terá condições de cumprir os compromissos feitos para a safra. Da produção prevista, 85% já estavam comprometidas em negociações de compra de insumos, financiamentos e arrendamento da área.
– É uma situação complicada. A maior parte das minhas áreas é arrendada. Também tenho financiamento para pagar. Agora não sei o que fazer. Vamos ter que contar com a colaboração dos credores para tentar sair desta situação. Acredito que sejam necessários uns 4 anos para nos recuperarmos disso. Dá muito desânimo, mas não podemos deixar a atividade, senão os credores não receberão mesmo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Escoamento da safra provoca fila na BR-277 no Paraná

A chuva forte que caiu no fim de semana no litoral paranaense contribuiu para agravar o problema


 Shutterstock
O escoamento da safra de grãos pelo Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, provoca um problema que tem se repetido nos últimos anos: a formação de fila de caminhões às margens da BR-277. Nesta segunda-feira (28/02) pela manhã, a concessionária Ecovias Caminhos do Mar, que administra a rodovia, registrava que os últimos caminhões estavam no km 16. À tarde, a fila já alcançava o km 26. O pátio de triagem fica no km 3 da BR-277.

No lugar, 900 caminhões aguardavam para descarregar os grãos, segundo a assessoria do porto. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) afirmou que vários fatores contribuíram para a formação da fila a partir deste fim de semana. Um deles é a chuva que caiu durante o domingo no litoral paranaense. Com o tempo úmido as operações nos três berços do corredor de exportação são interrompidas, o que leva a um acúmulo de grãos nos armazéns.

Causas
Além disso, o porto argumentou que muitas empresas não respeitam o sistema de cadastramento prévio, pelo qual apenas os caminhões registrados online, com local de armazenamento e com navio predeterminado para embarque devem descer ao litoral. Segundo a assessoria, em condições normais a média de fluxo no pátio de triagem seria de 8 horas, mas nesta segunda-feira havia caminhoneiros reclamando que estavam desde sexta-feira aguardando o desembarque.

O porto informou que a formação de filas também se deve à "boa impressão" causada nos exportadores o trabalho de dragagem emergencial realizada nos berços de atracação, que voltaram a ter as profundidades originais de oito, dez e 12 metros. Segundo a Appa, em razão disso a movimentação em janeiro já teria chegado a 2,66 milhões de toneladas, volume 28,89% superior ao mesmo período de 2010. Somente os granéis (soja, farelo de soja, milho, açúcar e trigo) aumentaram 60%, com volume de 999,6 toneladas.

A previsão da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná é que a safra de grãos 2010/11 deve atingir 30,95 milhões de toneladas, volume 5% inferior à produção da safra passada, quando foram colhidos 32,71 milhões de toneladas. De acordo com o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, qualquer oscilação pode ocorrer dependendo da colheita do milho safrinha, que está sendo plantado, e do desempenho do trigo, que começa a ser plantado no dia 11 de março.