Brasil possui 60 por cento de soja transgenica.
O Brasil está ampliando, cada vez mais, a produção transgênica. A virada aconteceu nos últimos dois anos quando o país passou a ter 60% de soja transgênica e 40% de convencional. Essa disputa de mercado, que envolve o manejo das lavouras, o custo e a renda na comercialização, vai traçando os rumos do que se quer para o Brasil. A região de Patos de Minas (MG) é um polo de produção de sementes. O produtor Gustavo Magni já observou a grande mudança nesta safra. Grandes compradores de soja estão pagando mais pelo convencional e ele faz as contas.
– A gente tem visto no mercado prêmios de até R$ 5 por saca em determinadas regiões. Em média são R$ 300 por hectares simplesmente plantando convencional. Existe um mercado lá fora interessado em farelo não transgênico e lecitina não trasngênica – comenta.
Apesar de não definir ponto a ponto qual é a melhor cultura, o produtor quer ter a opção de usar a tecnologia convencional e transgênica para escolher e programar a safra, para usar da melhor o maquinário e buscar a eficiência.
– Ainda é difícil a gente falar que transgênico é melhor. Para nós convencional é melhor, mas tendo a oportunidade das duas tecnologias a gente consegue manejar melhor nosso plantio e planejar a melhor safra – complementa o produtor.
Nos últimos cinco anos as empresas privadas de pesquisa colocaram como foco principal a soja transgênica. Os produtores sentiram falta de novas variedades da convencional. Nesta guerra de mercado o investimento na parceria publico privada, que envolve a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), não parou. Novidades convencionais garantem a concorrência estimulada por melhores preços.
A Fundação Triângulo, com sede em Uberaba, tem pesquisa com soja numa parceria com a Embrapa e 16 sementeiros de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Só com a soja são investidos de R$ 7 a R$ 8 milhões por ano.
– Nós deixamos o produtor e o consumidor escolher se querem transgênico ou convencional – informa o pesquisador da Fundação Triângulo, Neylson Arantes.
A cada 20 mil linhagens em estudo por ano, surgem apenas uma ou duas novas variedades no mercado. O último lançamento da entidade foi a soja convencional Embrapa 752 de ciclo precoce, que está sendo colhida. Em uma área de 50 hectares a média de produtividade passou de 87 sacas por hectare.
– Temos que pensar em produtividade por dia. É um desafio desenvolver variedades novas convencionais com boa produtividade, mas estamos conseguindo – conta o pesquisador.
As lideranças e entidades ligadas à produção de soja querem que o Brasil tenha um mercado diferenciado da Argentina, por exemplo, que tem hoje 95% da produção com transgênia. Mas o maior desafio atualmente está na hora de entregar o produto que acaba misturado nos armazéns que não fazem à separação.
– As fontes de segregação são uma grande dificuldade, pois a segregação é o ato de separar o convencional do transgênico. Há alguns produtores de Mato Grosso que ainda plantam soja convencional, porém na hora de entregar entregam no armazém de alguma compradora que não segrega. Ou seja, ele entregou um produto convencional e misturou-se na célula deste armazém tornando totalmente transgênico, pagando royalties sobre isso, tendo custo sobre isso – explica o gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Luiz Nery Ribas.
terça-feira, 26 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Mortes por disputa de terras no Brasil crescem 30% em 2010
O número de mortes por causa da disputa de terras no Brasil aumentou 30% no ano passado em comparação a 2009 e interrompeu assim um período de quatro anos consecutivos de redução dos homicídios, segundo um relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Apesar de o número estar abaixo da média de 63 mortes entre 1985 e 2009, no último ano foram registrados 34 assassinatos ocasionados por conflitos de terras, em comparação aos 26 em 2009, informou a CPT.
A entidade vinculada à Igreja Católica revelou que 30 dos homicídios foram por disputa direta de terras, dois por conflitos de acesso à água e dois por questões trabalhistas entre fazendeiros e camponeses.
Desses assassinatos, 21 ocorreram na região Norte, mas o Pará é o estado com o maior registro de assassinatos (18). De acordo com o relatório "Conflitos no Campo Brasil 2010", no ano passado foram registrados 1.186 casos de disputa de terras, dois a mais que em 2009. A disputa por água também apresentou um significativo aumento de 93,3%, com 87 conflitos.
Para o presidente da CPT, Dom Ladislau Biernaski, a reforma agrária seria a solução para o problema da má distribuição de terra no Brasil. “Menos de dois por cento de proprietários têm mais de 50% de terras. Outros milhões de hectares são grilados. Então, muitas vezes, o próprio Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] não tem instrumentos para promover uma redistribuição melhor de terras. Por isso, precisamos mudar a Constituição, regularizando a questão da função social da terra e da propriedade”, afirmou.
Apesar de o número estar abaixo da média de 63 mortes entre 1985 e 2009, no último ano foram registrados 34 assassinatos ocasionados por conflitos de terras, em comparação aos 26 em 2009, informou a CPT.
A entidade vinculada à Igreja Católica revelou que 30 dos homicídios foram por disputa direta de terras, dois por conflitos de acesso à água e dois por questões trabalhistas entre fazendeiros e camponeses.
Desses assassinatos, 21 ocorreram na região Norte, mas o Pará é o estado com o maior registro de assassinatos (18). De acordo com o relatório "Conflitos no Campo Brasil 2010", no ano passado foram registrados 1.186 casos de disputa de terras, dois a mais que em 2009. A disputa por água também apresentou um significativo aumento de 93,3%, com 87 conflitos.
Para o presidente da CPT, Dom Ladislau Biernaski, a reforma agrária seria a solução para o problema da má distribuição de terra no Brasil. “Menos de dois por cento de proprietários têm mais de 50% de terras. Outros milhões de hectares são grilados. Então, muitas vezes, o próprio Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] não tem instrumentos para promover uma redistribuição melhor de terras. Por isso, precisamos mudar a Constituição, regularizando a questão da função social da terra e da propriedade”, afirmou.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Consumo de etanol cai 70,5% na primeira semana de abril, aponta Sindicom
O consumo de etanol hidratado caiu 70,5% na primeira semana de abril no território brasileiro, ante o registrado na média de janeiro e fevereiro, de acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Aluísio Vaz. Segundo ele, foram comercializados apenas 49 milhões de litros de hidratado na semana entre 3 e 9 de abril, ante a média de 166 milhões de litros verificados em janeiro e fevereiro.
– Finalmente o consumidor do carro flex migrou de forma significativa do hidratado para a gasolina – disse Vaz.
No mesmo período, o consumo da gasolina nos postos cresceu 27,5%, passando de 466 milhões de litros na média de janeiro e fevereiro para 593 milhões de litros na primeira semana de abril. Os dados são referentes às vendas médias das empresas associadas ao Sindicom que, historicamente, correspondem a 60% do mercado brasileiro de etanol e 75% do mercado de gasolina.
Vaz informou também que, em março, as vendas de etanol hidratado ficaram em 485 milhões de litros, queda de 27% ante o registrado na média de janeiro e fevereiro e um recuo de 20% em relação ao volume comercializado em março de 2010. Já o consumo de gasolina cresceu 16%, para 2,297 bilhões de litros em março de 2011, ante março de 2010. Em relação à média de janeiro e fevereiro, o consumo de gasolina de março subiu 23%.
O executivo explica que o mercado possui gasolina para atender este crescimento expressivo e rápido de demanda. Segundo ele, o que existe são gargalos logísticos. Por exemplo, ele cita que o anidro existente hoje para ser misturado à gasolina está concentrado em poucos locais, o que gera espera na hora do embarque do produto nos caminhões.
– A logística do anidro é diferente da logística do hidratado, o que está emperrando o transporte do produto para ser misturado à gasolina – disse.
Vaz afirma que este problema pode levar a desabastecimentos pontuais de gasolina em alguns postos, mas não maior que um dia. O executivo lembra que os estoques de anidro estão concentrados no Estado de São Paulo.
– Finalmente o consumidor do carro flex migrou de forma significativa do hidratado para a gasolina – disse Vaz.
No mesmo período, o consumo da gasolina nos postos cresceu 27,5%, passando de 466 milhões de litros na média de janeiro e fevereiro para 593 milhões de litros na primeira semana de abril. Os dados são referentes às vendas médias das empresas associadas ao Sindicom que, historicamente, correspondem a 60% do mercado brasileiro de etanol e 75% do mercado de gasolina.
Vaz informou também que, em março, as vendas de etanol hidratado ficaram em 485 milhões de litros, queda de 27% ante o registrado na média de janeiro e fevereiro e um recuo de 20% em relação ao volume comercializado em março de 2010. Já o consumo de gasolina cresceu 16%, para 2,297 bilhões de litros em março de 2011, ante março de 2010. Em relação à média de janeiro e fevereiro, o consumo de gasolina de março subiu 23%.
O executivo explica que o mercado possui gasolina para atender este crescimento expressivo e rápido de demanda. Segundo ele, o que existe são gargalos logísticos. Por exemplo, ele cita que o anidro existente hoje para ser misturado à gasolina está concentrado em poucos locais, o que gera espera na hora do embarque do produto nos caminhões.
– A logística do anidro é diferente da logística do hidratado, o que está emperrando o transporte do produto para ser misturado à gasolina – disse.
Vaz afirma que este problema pode levar a desabastecimentos pontuais de gasolina em alguns postos, mas não maior que um dia. O executivo lembra que os estoques de anidro estão concentrados no Estado de São Paulo.
Granizo deve voltar a atingir lavouras
O outono deve registrar períodos de chuva de granizo, mesmo sendo uma estação atípica para este tipo de fenômeno. O alerta é de especialistas da Somar Meteorologia, que recomendam atenção, principalmente no sul de Minas Gerais e interior de São Paulo.
No último fim de semana, lavouras de hortaliças de Biritiba Mirim, no interior paulista foram fortemente atingidas pelo granizo. O que sobrou da plantação teve a qualidade prejudicada. Em algumas propriedades, pelo menos 20% da lavoura foi perdida.
Plantações de alface tiveram que ser pulverizadas para evitar perdas ainda maiores. Mas a qualidade não vai ser a mesma. Com o tamanho da verdura reduzido, o produtor vai receber menos.
Mesmo não sendo muito comum no outono, meteorologistas alertam aos produtores: fenômenos como o do último fim de semana podem acontecer novamente.
No último fim de semana, lavouras de hortaliças de Biritiba Mirim, no interior paulista foram fortemente atingidas pelo granizo. O que sobrou da plantação teve a qualidade prejudicada. Em algumas propriedades, pelo menos 20% da lavoura foi perdida.
Plantações de alface tiveram que ser pulverizadas para evitar perdas ainda maiores. Mas a qualidade não vai ser a mesma. Com o tamanho da verdura reduzido, o produtor vai receber menos.
Mesmo não sendo muito comum no outono, meteorologistas alertam aos produtores: fenômenos como o do último fim de semana podem acontecer novamente.
domingo, 10 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Movimentos sociais protestam contra reforma do Código Florestal e uso de agrotóxicos
Objetivo é conscientizar população sobre uso indiscriminado de defensivos agrícolas e o impacto das mudanças na saúde de trabalhadores rurais
Marcha contra agrotóxicos e mudanças no Código Florestal
O principal objetivo da iniciativa é conscientizar a população sobre os riscos do uso indiscriminado de defensivos agrícolas, a falta de fiscalização, a contaminação dos solos e águas por essas substâncias e seu impacto na saúde dos trabalhadores rurais e da população em geral.
“É preciso discutir o assunto entre os agricultores, nas escolas, nos espaços públicos e projetos de lei. Temos que pressionar o governo para que suas agências fiscalizem, de fato, a utilização dos agrotóxicos. Desde 2009, o Brasil é campeão mundial no uso destes produtos”, afirmou Paola Pereira, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Para José Josivaldo Alves de Oliveira, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a proposta do Código Florestal seria “um grave retrocesso em termos ambientais”. Integrante da direção da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Maria da Graça Amorim defende que o atual código não é empecilho para a produção agrícola familiar e que as mudanças propostas beneficiarão apenas os grandes produtores. “Nós só precisamos de alguns hectares para produzir. Já o agronegócio pegou as melhores terras, desmatou porque não mora nelas, coloca agrotóxico porque não consome o que produz e, agora, ainda quer desmatar as beiras dos rios”, disse.
A agricultora Julciane Azilago, do Movimento Mulheres Camponesas (MMC), diz que se o governo quer estimular a agricultura basta disponibilizar mais recursos para os produtores familiares. “A maioria dos créditos do governo vão para os grandes produtores, sendo que o pequeno agricultor é quem gera muito mais empregos e produz a maior diversidade de alimentos. E é justamente o agronegócio quem mais utiliza agrotóxicos”.
Os integrantes dos movimentos sociais entregaram um documento à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com seu posicionamento acerca do Código Florestal. As entidades defendem a manutenção dos atuais índices de reserva legal e de áreas de preservação permanente, bem como a obrigação da recuperação de todo o passivo ambiental nessas áreas, a não-anistia aos desmatadores, a criação de políticas públicas que garantam a recuperação produtiva das áreas protegidas e o desmatamento zero em todos os biomas brasileiros, com exceção dos casos de interesse social.
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